De Alagoas à Gaza: como apoiar palestinos vítimas de extermínio pela ocupação sionista de Israel

Veleiro de ajuda humanitária foi sequestrado neste domingo, com ativista brasileiro; ativistas alagoanos defendem importância de ofertar solidariedade ao povo palestino
Veleiro com 12 ativistas partiu no último 6 de junho da Itália rumo à Gaza para entregar mantimentos e abrir corredor humanitário em apoio aos palestinos. Foto: divulgação.

Na noite deste domingo, 8, o mundo inteiro pôde acompanhar nas redes sociais quando forças de ocupação sionista Israelense interceptaram o veleiro “Madleen”, que conduzia a missão Flotilha da Liberdade (Freedom Flotilla Coalition – FFC).  A embarcação tinha a bordo  12 defensores dos direitos humanos de diversos países, incluindo o brasileiro Thiago Ávila, e a ativista sueca Greta Thunberg. Desarmados em águas do Mediterrâneo, os voluntários foram sequestrados pelos sionistas enquanto realizavam um esforço para abrir um corredor humanitário em Gaza e, também, levar mantimentos de sobrevivência, como alimentos, fórmulas para bebês, medicamentos, e próteses – às vítimas palestinas do genocídio em curso cometido pelo “Estado de Israel”.

Desde o sequestro – que foi precedido por ataques psicológicos nos diversos dias anteriores-  o paradeiro dos tripulantes segue desaparecido. Horas depois, os sionistas comunicaram que deportariam os ativistas de volta a seus países, mas ainda não há informações sobre onde e em que estado se encontram. No Brasil, enquanto o Itamaraty e o Governo Federal silenciaram sobre o assunto durante todos os dias de viagem – e a Rede Globo noticiou o sequestro segundo as palavras dos sequestradores – as redes sociais foram tomadas pela perplexidade e mobilização de pessoas que apoiam a causa palestina. Em Alagoas, integrantes também defendem a iniciativa.

“A Flotilha é uma ação direta e corajosa de solidariedade internacional, como foi em 2010, quando Israel massacrou 10 ativistas no Mavi Marmara. É vital para denunciar o bloqueio criminoso e forçar abertura de corredores humanitários”, relata a militante e jornalista Lenilda Luna, que integra o Núcleo de Solidariedade à Palestina em Alagoas. “A comunidade internacional precisa proteger os ativistas! Eles estão pedindo para ficar de olhos neles. Vamos fazer isso”.

Madleen levava 12 ativistas, entre eles, o brasileiro Thiago Ávila e a sueca Greta Thunberg. Foto: divulgação.

O internacionalista Erick Memória esmiuça a importância da iniciativa. “A Flotilha da Liberdade é uma iniciativa absolutamente essencial e corajosa, que merece apoio irrestrito. Em um cenário onde a ajuda humanitária é deliberadamente impedida de chegar à população de Gaza, a tentativa de furar o bloqueio por mar é um ato de desobediência civil e de solidariedade inestimável. Não se trata apenas de levar mantimentos, mas de um grito de socorro do mundo, um ato de solidariedade concreta que busca expor a crueldade do bloqueio e a inação da comunidade internacional. É uma ação que humaniza o povo palestino e denuncia a desumanização imposta por Israel. A história nos mostra a importância de iniciativas como essa, que colocam a vida e a dignidade acima de interesses políticos e econômicos”, relata.

Formado em Relações Internacionais, Erick Memória atenta o quanto, além de impedir a ajuda humanitária – que tem causado a morte de crianças por fome e outras condições degradantes, além dos bombardeios – sionistas e aliados lançam mão de iniciativas com falso pretexto de ajuda humanitária para promover ainda maior controle sobre o povo palestino.

“O que acontece com a Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma organização controversa apoiada por Israel e pelos Estados Unidos, que visa substituir a ONU como principal fornecedor de ajuda, é inaceitável. O plano da GHF de condicionar a ajuda a controle de identidade e triagem por meio de biometria e reconhecimento facial para verificar envolvimento com o Hamas é uma militarização, privatização e politização da ajuda humanitária com ex-agentes da CIA e de segurança. A renúncia de Jake Wood, ex-fuzileiro naval dos EUA e ex-diretor da GHF, que se recusou a abandonar os princípios humanitários, é uma prova cabal da natureza questionável dessa operação”, mencionou.

“Diante disso, a Flotilha da Liberdade se torna ainda mais vital como um farol de esperança e um contraponto ético. É preciso, no entanto, estar vigilante. A Flotilha da Liberdade já foi alvo de ataques brutais, e a probabilidade de novas agressões é alta. A segurança dos ativistas deve ser uma prioridade, e a comunidade internacional precisa garantir a passagem segura e a proteção dessa missão vital”, defende Memória.

Jornalista e militante Lenilda Luna em ato no Centro de Maceió de apoio à Palestina. Foto: redes sociais

Além do objetivo final de entrega de mantimentos para os palestinos e a abertura do corredor humanitário, a Flotilha também trouxe maior alcance, nos últimos dias, uma maior visibilidade sobre a situação em Gaza e os planos de “israel” – de exterminar a população palestina, aos bombardeios, tiros, à fome e às condições degradantes – e não uma “defesa contra o armamento do Hamas”, conforme os representantes  insistem em anunciar  (e têm apoio de grande parte da imprensa para isso).

Em nota pública, a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), declara que o ataque à Flotilha faz parte da ‘solução final’ de israel na Palestina. Ao atacar um veleiro com ajuda humanitária, de ativistas desarmados, os sionistas e seus aliados comunicam que a ideia é mesmo inviabilizar completamente qualquer tentativa de ajuda para evitar o extermínio ao povo palestino.

“Se os ativistas não representam nenhum perigo militar ou de “segurança”, por que atacá-los com tamanha violência? Por que impedir que cheguem às costas de Gaza? A resposta é simples: porque a ajuda humanitária não pode chegar aos civis de Gaza, às mulheres, crianças, anciãos, presos neste campo de concentração para serem exterminados, o objetivo final de “israel”, agora abertamente confessado por seus dirigentes e pelo presidente dos EUA, Donald Trump”, descrevem.

“Atacar os ativistas da Flotilha da Liberdade tem as mesmas motivações dos maiores assassinatos da história de profissionais de saúde (1.411), de funcionários da ONU (203), de profissionais da defesa civil (113), professores (800): tornar inabitável Gaza e levar à morte massiva do povo palestino que habita Gaza. Foram essas ações que levaram à maior matança de crianças de todos os tempos (9.997 por milhão de habitantes, 3,55 vezes mais que no período nazista, quando foram mortas 2.813 por milhão de habitantes da Europa da 2ª Guerra). Tudo isso tem a ver com a busca da eliminação dos 2,3 milhões de habitantes palestinos de Gaza, integral limpeza étnica.”

Na nota, a FEPAL finaliza que, assim como o nazismo foi interrompido, é preciso impedir também o avanço do regime sionista. Além disso, “o Brasil tem o dever legal, político, ético e moral de romper todas as relações com este regime análogo ao nazista que atende pelo nome fantasia “israel”, até que este pare o genocídio em Gaza e cumpra todos os ditames do Direito Internacional e das Resoluções da ONU para a Palestina.” Leia a nota na íntegra aqui. 

Mobilização de apoio à causa palestina em Alagoas: por quê e como fazer

A múltiplas mobilizações realizadas em todo o mundo também acontecem no estado de Alagoas, a mais de 10 mil quilômetros, um oceano e pelo menos um continente de distância de Gaza. Diante das barbáries ocorridas, a distância não é, de forma alguma,  obstáculo para o sentimento de solidariedade, ainda que faça parte da ofensiva sionista impedir a qualquer custo que essa solidariedade chegue de forma  em Gaza.

Internacionalista Erick Memória durante lançamento de livro e atividade em apoio à causa palestina. Foto: arquivo pessoal

O internacionalista Erick Memória alerta que o que acontece com os palestinos não se trata apenas de um conflito regional, mas um teste para a toda a humanidade. “Permitir um genocídio sem reagir significa permitir que a barbárie se espalhe e descredibiliza todas as instituições e leis internacionais que se dizem defensoras da paz e da justiça. Segundo, a solidariedade ao povo palestino é uma forma de combater a impunidade. Se Israel continuar a operar acima da lei internacional, isso abre um precedente perigoso para outros Estados agirem da mesma forma. Nosso apoio é uma forma de pressionar por responsabilização e por um fim à ocupação.”

A memória história também é acionada. “Nós, latino-americanos, sabemos o que é viver sob o jugo de potências e regimes opressores. A luta palestina ressoa com nossas próprias experiências de resistência e autodeterminação. É uma luta anticolonial, e a denúncia do sionismo como um movimento nacionalista europeu que utilizou e utiliza de estratégias coloniais e racistas é fundamental.” Na mesma linha, Lenilda Luna acrescenta: “A luta palestina é antiimperialista, anticolonial e pela dignidade humana. Enquanto Israel bombardeia hospitais e escolas com armas financiadas por nossos impostos (via EUA e aliados), nosso silêncio é cumplicidade. Apoiar a Palestina é lutar contra o racismo, o militarismo e o capitalismo que oprimem também negros, indígenas e pobres no Brasil”, destaca.

Erick Memória conclui, ainda: “Finalmente, e talvez o mais importante, é uma questão de esperança. A resistência palestina,
mesmo diante de tanta adversidade, é uma inspiração. Nosso apoio, mesmo que pequeno, alimenta essa esperança e mostra que o povo palestino não está sozinho. É uma reafirmação da nossa humanidade e da nossa capacidade de nos indignarmos e agirmos diante da
injustiça”.

Como apoiar:

Para todos que acompanham o genocídio, é possível confrontar o sentimento de impotência partindo para ação coletiva, conforme sugere Erick Memória.  “Primeiro, a informação e a formação. Continuar a disseminar a verdade sobre a Palestina, desconstruindo a desinformação e educando as pessoas sobre a história e a realidade da ocupação”. Erick lembra, neste sentido, de atividades como o lançamento do livro “Contra o Sionismo”, de Breno Altman, na Universidade Federal de Alagoas. “É vital levar informações e perspectivas diferenciadas para Maceió, é preciso quebrar com visões elitistas que são repercutidas nos diversos extratos sociais por puro desconhecimento”, ressalta.

O convite à mobilização também é feito. “Participar e organizar manifestações, atos públicos e vigílias em apoio à Palestina. Pressionar nossos representantes políticos, tanto em nível municipal, estadual quanto federal, para que o Brasil adote uma postura mais  incisiva
em defesa dos direitos palestinos, cobrando cessar-fogo imediato, rompendo contratos comerciais com Israel, enviando ajuda humanitária e garantindo o reconhecimento pleno do Estado da Palestina. E, em Alagoas, temos que ser especialmente vigilantes e cobrar as autoridades sobre a Corsight ter instalado tecnologia de reconhecimento facial em nossas escolas, uma empresa que está a serviço da ocupação e do genocídio na Palestina”.

Ações de solidariedade e de boicote a marcas que contribuem com o sionismo também são urgentes. “Apoiar campanhas de arrecadação de fundos para organizações humanitárias que atuam em Gaza e na Palestina. Divulgar e promover boicotes a empresas que colaboram com a ocupação israelense, incluindo as grandes big techs como Microsoft, Amazon, Google e OpenAI, que estão fornecendo tecnologia para a
máquina de guerra israelense. A pressão econômica é uma ferramenta poderosa”.

O ativista também orienta que as pessoas se articulem e se organizem. “Fortalecer o Comitê Alagoas e buscar parcerias com outros movimentos sociais, sindicatos, universidades e organizações religiosas que compartilham da mesma causa. Juntos somos mais fortes e nossa voz ressoa mais alto. E por fim, não desanimar. A luta pela justiça é longa e árdua, mas a história mostra que a persistência é a chave. Cada pequena ação, cada voz levantada, cada gesto de solidariedade, por mais distante que pareça, é um tijolo na construção de um futuro mais justo e livre para o povo palestino. Acreditem, a semente que plantamos aqui em Alagoas pode gerar frutos lá na Palestina.”

Já Lenilda Luna acrescenta com alguns exemplos de aticidades realizadas: “Fomos às ruas do Centro algumas vezes levando a bandeira da Palestina, fotos de denúncia e dialogamos com a população. Também realizamos alguns debates na Universidade e teve aquele dia memorável em que o auditório da reitoria lotou para o lançamento do livro do jornalista Breno Altman. Precisamos continuar a fazer essas ações diretas. As redes sociais são importantes, mas não bastam. Quem quiser participar do nosso Núcleo de Solidariedade à Palestina pode entrar em contato pelo e-mail lenildaluna@gmail.com”, convida. “Desde Alagoas até Gaza, nossa luta é uma só: pela libertação!”

 

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