Em evento gratuito, documentário sobre o caso Braskem conta história de quem ainda vive nas áreas afetadas

Com Assessoria

 

Filme Ainda Há Moradores Aqui é lançado nesta terça-feira, 25, no Teatro deodoro em Maceió. Foto: divulgação

Em evento gratuito e aberto ao público, o caso da Braskem em Maceió (AL) será tema de novo documentário. Intitulado “Ainda Há Moradores Aqui”, em referência a uma das várias pixações nas áreas afetadas, o longa-metragem apresenta as consequências trágicas da exploração desenfreada promovida pela mineradora Braskem no subsolo da capital de Alagoas.

O evento de lançamento será no dia 25 de fevereiro (terça-feira), às 19h, no Complexo Cultural do Teatro Deodoro, em Maceió. Após a exibição do filme, haverá um debate com a participação de moradores das áreas atingidas e representantes de movimentos sociais de Alagoas.

Para o diretor do filme, Tiago Rodrigues, a obra tem o objetivo de confrontar o desconhecimento e o esquecimento sobre o caso Braskem. Rodrigues alerta se tratar de uma história que ainda está acontecendo, mas que grande parte da população do Brasil desconhece. “Desconhece a dimensão, a gravidade, as causas e consequências. E o pior, é que quem conhece, já começa a esquecer. O filme quer contribuir para impedir que isso aconteça. Dar rosto e voz às vítimas desse crime perpetrado por uma grande mineradora”, afirma.

Luta do povo

Enquanto a Braskem lucra e a justiça se cala, o povo alagoano segue na luta. É isso que mostra o documentário (com duração de 42 minutos e 34 segundos) que reúne uma série de entrevistas com lideranças comunitárias, autoridades, pesquisadores e ambientalistas, além de depoimentos das pessoas afetadas que relatam o trauma emocional e a incerteza sobre o futuro.

“A culpa é da Braskem por tudo que está acontecendo, não só na vida da lagoa, mas também na vida das pessoas que vivem da lagoa. Quem sofre é a gente”, ressalta Vanessa Santos. A presidente da Cooperativa de Trabalho de Marisqueiras Mulheres Guerreiras também alerta para a escassez da produção de mariscos, atividade econômica que serve de sustento para milhares de famílias.

“Não tem como dizer ‘eu vivo feliz aqui’. Não tem como dizer, ninguém mais vive feliz aqui”, conta José Claudio dos Santos, morador dos Flexais, um dos bairros afetados.

Nome do filme faz referência a pixo feito nas áreas afetadas. Foto: divulgação

A semelhança do nome do documentário com o premiado “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, é mera coincidência. A escolha de “Ainda Há Moradores Aqui” para o longa veio de uma pichação (foto abaixo) encontrada em um dos bairros da região afetada pelo diretor – um gaúcho radicado em Brasília – que estava de férias na capital alagoana, quando decidiu iniciar as entrevistas e fazer as filmagens.

Histórico

O primeiro tremor de terra, registrado em 3 de março de 2018, causou um impacto profundo em Maceió, tendo como ápice o afundamento da Mina 18. A extração sem controle de sal-gema (mineral usado como matéria-prima na indústria química para a fabricação de produtos farmacêuticos, de higiene e de limpeza) acabou por afundar uma extensa área de diversos bairros da capital alagoana, afetando grande parte da população da cidade, que teve o cotidiano transformado pela negligência da mineradora.

 

Mais de 160 mil pessoas são vítimas do maior crime socioambiental em área urbana do mundo. Muitas delas foram expulsas de casa e ainda sofrem com os prejuízos materiais e as consequências traumáticas causadas pela Braskem e pelo descaso das autoridades.

“A população de cinco bairros foi removida de suas moradias onde viviam há décadas. Essa história precisava ser contada para seguir viva, para que não caia no esquecimento. Esse também é o papel do cinema: ser retrato, ser denúncia, ser memória”, destaca o diretor do documentário.

Ficha Técnica

AINDA HÁ MORADORES AQUI (42’34”)
Direção: Tiago Rodrigues
Roteiro: Luana Teixeira, Maurício Macedo e Tiago Rodrigues
Produção: Alonso Calheiros, Isadora Padilha, Luana Teixeira e Tiago Rodrigues
Pós-produção: Luana Teixeira, Maurício Macedo, Pedro Cardoso e Tiago Rodrigues
Finalização: Pedro Cardoso e Tiago Rodrigues
Motorista: Casimiro José Benincá Pereira
Trilha sonora: Telma César – Tao das Baianas
Videoclipe: Maceió é massa? – Wal Rafa
Arte Gráfica: Vinícius Soza

Apoio institucional:

Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
Movimentos dos Povos das Lagoas
Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH)
Coletivo Exame – Produções Ambientais
Ideal – Instituto para o Desenvolvimento das Alagoas

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