Escola sofre com calor extremo e denuncia descaso da Prefeitura de Maceió; Sinteal também cobra melhorias

Em protesto, alunos e professores da Escola Zumbi dos Palmares denunciam que não há condições para o aprendizado; sindicato cobra reajuste e melhores condições para categoria
Protesto aconteceu nesta terça-feira (25). FOTO: Milena da Silva Santos.

Assim como em 2024, o início de ano, em 2025, tem sido marcado pelo calor intenso e pelas temperaturas elevadas. Vivemos o mês de janeiro mais quente já registrado, segundo o Copernicus, observatório climático da União Europeia. O recorde ocorreu mesmo sob o fenômeno La Niña, que geralmente diminui a temperatura média em escala global.

Maceió não teria como fugir dessa tendência, porém, além das temperaturas, a cidade sofre com falta de estrutura para lidar com isso, sobretudo a rede municipal de ensino. De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto MapBiomas analisado pelo Instituto Alana, 48,3% das escolas em Maceió estão localizadas em áreas com desvio de temperatura de pelo menos 3,57ºC acima da média urbana.

O dado coloca a capital alagoana como a terceira do Nordeste e a oitava do país nesse aspecto. Como se não bastasse, o levantamento aponta que 49% das unidades escolares em Maceió não possuem áreas verdes em seus terrenos e em seus arredores.

Além do desconforto já conhecido, o calor excessivo prejudica diretamente o desempenho escolar, afetando não apenas os alunos, mas também os professores. Segundo a explicou a neurocientista Lícia Ciacci ao site Repórter Brasil, em ocasiões de altas temperaturas, o cérebro tira energia da concentração e do raciocínio, direcionando o foco para aliviar o desconforto. Em uma sala de aula, isso significa que o ensino e a aprendizagem ficam comprometidos.

“O corpo vai eliminar mais água para equilibrar a temperatura. Vai ter uma circulação mais superficial, os vasos dilatam, a respiração pode acelerar. É como se a gente entrasse em um estado de alerta, em que o bem-estar do corpo é prioridade e tudo o que é secundário perde importância”, diz a neurocientista.

Podemos observar exatamente isso na Escola Municipal Zumbi dos Palmares – no conjunto Rosane Collor, no Clima Bom – realizaram um protesto devido ao calor extremo e à falta de condição de aula na instituição. Eles alegam que os ares-condicionados foram instalados há mais de 1 ano e ainda não foram ligados, em nenhuma das 12 salas de aula.

Os alunos ainda afirmam que pessoas já passaram mal dentro das salas e que não se sentem motivados para continuar o ano letivo, mas que continuam frequentando mesmo com as condições adversas. É que afirma a estudante do nono ano Milena da Silva Santos, que já estuda há três anos no local.

Alunos realizaram manifestação exigindo condições adequadas. | FOTO: acervo pessoal.

“A gente não sente vontade de ir pra escola por causa do calor. Isso acaba com a motivação de ir. Às vezes, algumas pessoas passam mal”, diz.

A Mídia Caeté também conversou com o professor Luiz Carlos dos Santos, que trabalha na Escola Municipal Zumbi dos Palmares desde 2005. Ele conta que, antes, existiam ventiladores nas salas de aula, mas que foram substituídos pelos aparelhos de ar-condicionado.

“Antes da chegada dos ares-condicionados, tinham ventiladores nas salas de aula, porém quando os aparelhos foram instalados, os ventiladores foram retirados. Esperava-se que o ar refrigerado chegasse imediatamente, o que não aconteceu. Estamos esperando há um ano”, denuncia.

O professor Luiz prossegue falando sobre o esforço de discentes e docentes para continuar o ano letivo, mesmo com as condições totalmente insalubres geradas pelo calor e pela falta de climatização. O professor relata ainda que o problema já é sabido há muito tempo.

“Esse problema é do conhecimento de todos. No final do ano passado, foi constatado que a Equatorial teria que trazer uma rede de alta tensão, do início do Conjunto Rosane Collor até a escola. A Semed passa a responsabilidade para a Equatorial e vice-versa. Nisso, o tempo vai passando. “Com total precariedade climática para todos, os alunos mesmo com o desconforto do calor, continuam vindo, da mesma forma os professores”.

O QUE DIZ AS ENVOLVIDAS?

Entramos em contato tanto com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e com a Equatorial para entender a situação.

A Secretaria informou que “para a climatização da Escola Municipal Zumbi dos Palmares foi necessária uma reforma na infraestrutura elétrica, com a instalação de uma subestação, para viabilizar a ligação de novos equipamentos, com total segurança. A concessionária de energia Equatorial precisou realizar uma extensão na rede elétrica, o que atrasou o processo de viabilidade”.

A nota da Semed conclui dizendo: “Não há pendências  ou diligências a serem sanadas, tendo a Semed atendido a todas exigências da Equatorial, restando agora tão somente a vistoria e energização por parte da concessionária”.

Já a Equatorial se posicionou da seguinte forma: “Sobre o pedido de ligação nova na Escola Municipal Zumbi dos Palmares, localizada no bairro do Clima Bom, a Equatorial Alagoas esclarece que o serviço não foi executado devido às inconformidades encontradas na obra da subestação interna, que é de responsabilidade do cliente, e não estavam atendendo as normas técnicas estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”

A nota continua: “O responsável pela unidade foi orientado sobre a necessidade das adequações e uma nova vistoria já está programada para a próxima terça-feira (25), para que seja feita uma nova análise e, posteriormente, a Distribuidora possa seguir com a execução dos serviços que são de sua competência”.

O DESCASO VAI MUITO ALÉM DO CALOR 

Na manhã da última quarta-feira (19), um ato público aconteceu na porta da Prefeitura de Maceió, em Jaraguá, onde profissionais da educação estiveram presentes compartilhando as dificuldades enfrentadas no trabalho dentro das unidades escolares e cobrando melhorias na Educação Pública da capital.

A categoria reivindica um reajuste de 13,6%, baseado no incremento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), que a prefeitura tem este ano.

“Esse percentual nem sequer repõe as perdas acumuladas pela categoria nos últimos anos, mas é o valor que nós sabemos que é viável, e a prefeitura deveria repassar o crescimento do FUNDEB para quem faz a educação funcionar, as trabalhadoras e trabalhadores”, disse Izael Ribeiro, presidente do Sinteal.

Sinteal também cobra gestão de João Henrique Caldas (PL). FOTO: Ascom Sinteal.

Além do reajuste, a mobilização cobrou o pagamento das progressões atrasadas, implantação do aumento de carga horária, estrutura física das escolas, concurso público para cobrir a carência de profissionais, solução imediata para a crise do transporte escolar.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), foi enviada uma proposta para acordo, mas ainda não houve retorno por parte da Semed.

LEIA A NOTA DO SINTEAL NA ÍNTEGRA:

É preocupante a situação da educação no município de Maceió, e como a Prefeitura e a SEMED têm assumido uma postura de descaso, alheia às nossas cobranças por soluções. Na semana passada realizamos protesto na porta da prefeitura, porque desde dezembro temos tentado o caminho do diálogo sem sucesso. O compromisso que o secretário havia assumido era de nos receber após reunião com a Semge, para dar retorno da pauta econômica e estrutural, mas estamos sem nenhum retorno. 

Nossa data-base já venceu. Desde dezembro de 2024 já sentamos com a SEMED, que prometeu resposta para janeiro. No início de 2025, o secretário voltou a nos receber, mas sem nenhuma resposta concreta, nada de avanços ou encaminhamentos, pelo contrário, os problemas só tem aumentado. Enquanto isso, os problemas só têm aumentado. Estruturas deficitárias, falta de profissionais, estudantes sem transportes, falta de vagas para os alunos, falta de PAES.

Estamos cobrando o reajuste salarial, mas também denunciamos há tempos os problemas de estrutura física. Por melhorias de salário e infraestrutura, continuaremos mobilizados para a luta e, se necessário, iremos às ruas denunciar a má gestão de JHC na Educação.

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