
Sem água há três meses, moradores do bairro do Bom Parto – que convivem com o isolamento socioeconômico na área de borda do desastre socioambiental provocado pela Braskem – fizeram um protesto para chamar atenção da BRK e dos poderes públicos. Ao invés de busca por resolução do problema, entretanto, o Estado enviou guarnições do BOPE, que aterrorizaram a população com bombas de gás e balas de borracha.
A ação aconteceu na noite desta sexta-feira, 28 de novembro, iniciando na Avenida General Hermes, e foi gravada por moradores revoltados com o tratamento dispensado pelo Governo do Estado. “Aqui não tem bandido, não. O que eu digo é que coloquem a água que a gente não protesta. Eu tenho mais de 50 anos morando aqui, sou uma pessoa idosa e não posso ficar carregando água na cabeça o tempo inteiro”, relatou uma moradora.
Outro morador acrescenta: “Esse é o tratamento que dão para nós. Estamos reivindicando um direito legítimo, num protesto que é pacífico, e eles respondem assim, com bala de borracha, com gás”.
Nas imagens do vídeo, é possível ver moradores, incluindo crianças, correndo assustados. Uma moradora também mostra um projétil de bala de borracha e outro de gás lacrimogêneo que foram deflagrados contra as pessoas que protestavam.
De acordo com um dos moradores, as autoridades vêm sendo informadas durante todos esses meses sobre a falta de fornecimento de água, não obtendo qualquer resolução do problema por parte da BRK, ou do Estado, de modo que o protesto foi a alternativa encontrada para que a comunidade conseguisse chamar atenção de fato sobre o problema.
Uma moradora conta que, com a suspensão do fornecimento sem qualquer explicação, precisa se deslocar até às margens do riacho, o chamado Brejinho, para recolher água para uso diário de higienização e limpeza em casa.
A Mídia Caeté procurou a BRK para questionar o motivo da suspensão do fornecimento de água durante todo esse tempo. Entretanto, até a finalização da reportagem, nenhuma resposta foi fornecida. A Mídia Caeté também procurou a CASAL, vinculada ao Governo do Estado, mas também não obteve retorno.
Já a Secretaria de Segurança Pública do Estado, ao ser procurada pela Mídia Caeté, respondeu sobre a ação do BOPE com a seguinte nota:
NOTA – POLÍCIA MILITAR DE ALAGOAS
A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), por meio do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), informa que, por volta das 17h de sexta-feira (28), foi acionada para atender uma ocorrência de manifestação pública no bairro Bom Parto, em Maceió.
Manifestantes fecharam um trecho da Rua General Hermes com barricadas e atearam fogo em pneus, impedindo a passagem de veículos. O motivo do protesto, segundo os moradores, era a falta d’água constante na região.
A equipe da Companhia de Policiamento de Choque (CPChoque) foi acionada e, ao chegar ao local, empregou técnicas de controle de distúrbios. O grupo foi dispersado e as barricadas removidas. A via foi liberada e o tráfego voltou à normalidade.
Longe da normalidade
À base de gás lacrimogêneo e bala de borracha, a pista até voltou à “normalidade”. O que segue em condição de transtorno, entretanto, é a vida da polulação da região. A condição vem sendo compartilhada por centenas de moradores que já convivem com o isolamento socioeconômico e diversos outros problemas na chamada área de borda do desastre socioambiental provocado pela Braskem.
A comunidade vem reclamando pela realocação, uma vez que até o momento- e mesmo com estudos que já evidenciaram a condição da área de risco – seguem confinados e com a assistência cada vez mais reduzida.





