Por Danielle Henrique

O afroturismo é uma tendência mundial que vem ganhando força no Brasil nos últimos anos. Como o próprio termo sugere, trata-se de um segmento voltado para experiências afrocentradas, colocando o protagonismo da população negra no centro das vivências. Em um país de dimensão continental cuja história é marcada por resistência, memória e cultura, o setor se consolida como um terreno de amplas oportunidades, onde a memória e a ancestralidade se sobrepõem à visão puramente lucrativa do negócio.
Em Alagoas, a startup de afroturismo Onilé Rotas Pretas oferece roteiros guiados em Maceió e em União dos Palmares — especificamente no Quilombo dos Palmares — com o propósito de fortalecer a cultura negra no estado. Pelo Instagram (@rotaspretas.online), é possível acompanhar as rotas já realizadas e se informar sobre as próximas experiências.

“Todo o modelo é baseado no fundamento religioso e ancestral que traz, através de sua mitologia e ancestralidade, o desenvolvimento básico da importância de evidenciar a história negra brasileira e alagoana através do sagrado feminino. Onilé é uma das Yamins (ou Ìyámi Òṣòrọ̀ngà), grandes matriarcas detentoras de todo o conhecimento e tecnologia africana, a senhora da terra”, explica Diego Bárà Onã, criador da Onilé.
Desafio local e falta de incentivo público
Embora a iniciativa venha ganhando visibilidade fora de Alagoas, a procura por quem reside no estado ainda é pequena, cenário agravado pela falta de divulgação por parte das secretarias de turismo estadual e municipal.
“O Afroturismo no Brasil tem crescimento alto desde a liberação de viagens pós-pandemia, mas em Alagoas não tem tido por parte dos órgãos responsáveis pela divulgação do turismo alagoano. Hoje conseguimos ter uma visibilidade e parceria [maiores] com plataformas e agências fora de Alagoas do que locais.”, comenta Diego e acrescenta: “A busca pelas pessoas que moram na cidade é pouca (para) quem tem interesse em conhecer a cidade fora de uma city tour desenhada para turista ver.”
Roteiros e sustentabilidade financeira
O percurso entre a capital e o interior combina história, educação e gastronomia. “Além do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, temos os espaços museus da Uneal, Casa Museu Maria Mariá, visita à comunidade quilombola Muquém e o momento mais esperado do almoço, no restaurante A Porteira, um espaço itinerante de culinária local com seu famoso pirão de parida”, detalha o fundador. Com foco em rotas pedagógicas, especialmente em Maceió, o grande desafio é encontrar espaços que reverenciam a contribuição dos povos originários e afrodiásporicos.

Por ser uma startup, a Onilé busca a sustentabilidade financeira conectando-se a redes de parceiros e afroempreendedores locais. “Hoje a Onilé Rotas Pretas faz parte de uma Rede de Afroturismo no Nordeste que reúne representantes de Sergipe, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Alagoas”, destaca Diego.
Os formatos variam entre imersões coletivas e privativas. As saídas coletivas para a Serra da Barriga acontecem a cada 20 dias, com grupo mínimo de dez participantes. Já as rotas privativas podem ser agendadas conforme a disponibilidade. Para quem quer vivenciar a capital, o Walking Tour Maceió Preta ocorre todas as sextas-feiras pela manhã, com reserva de vaga através do Instagram.




