Alagoar comemora cinco anos e faz história

Registro, resistência e reflexão acerca de produções audiovisuais são os pontos fortes do projeto
Share on facebook
Share on twitter
Share on pocket
Share on whatsapp

Há cinco anos, surgia, no cenário alagoano, um projeto virtual que abriu espaço para produtores, diretores, cinéfilos e interessados em manter vivas ou disseminar produções audiovisuais locais. O Alagoar comemora seu aniversário trazendo ao Mídia Caeté o ‘diário de bordo’ de uma das idealizadoras da inciativa, Larissa Lisboa. Ela conta como surgiu a ideia, as dificuldades, expansão, alcance e importância de manterem ativas as produções audiovisuais no estado. Lembrando que o Alagoar – cujo endereço eletrônico é o alagoar.com.br – está aberto para colaboradores que tenham interesse em compartilhar críticas de filmes alagoanos ou brasileiros, refletir sobre o cinema de Alagoas, realizar cobertura de Mostras e Festivais de Cinema ou buscar/propor outras formas de investir na difusão de conteúdo e pesquisa sobre o audiovisual local.

Diário de Bordo

Em 2006, iniciei a pesquisa para o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Foi assim que teve início a construção de uma publicação, em formato de catálogo impresso, da produção audiovisual alagoana, que não teria sido possível se Nataska Conrado não tivesse me sugerido.

A conclusão da primeira etapa, em 2008 – que eu achava ser a única – se deu quando defendi o meu TCC (“Produção Audiovisual Alagoana – catálogo e análise”), no qual apresentei uma breve análise do audiovisual produzido no estado, entre 1921 e 2008, bem como o catálogo em anexo com mais de 200 filmes dos quais havia conseguido coletar informações.

Também, por aquela época, testemunhei o surgimento de um site sobre cinema, que se propunha a abraçar as obras de Alagoas; proposta apresentada e executada por Lis Paim, a partir do TCC “Website Cinemativo: cinema alternativo, cineclubismo e jornalismo cultural”. Infelizmente, o Cinemativo foi descontinuado.

Foram reunidos esforços, entre 2008 e 2016, para a criação de projetos a serem submetidos a editais nacionais de incentivo à produção cultural que pudessem viabilizar a publicação do Catálogo da Produção Audiovisual Alagoana, mas não foi obtida aprovação.

Em 2010, exercitando o aprendizado recebido ao fazer a especialização em Tecnologias Web para Negócios (no Centro Universitário CESMAC), realizei o investimento de adquirir o domínio www.audiovisualagoas.com.br e iniciar o pagamento de uma hospedagem. Não estavam definidos o formato ou a proposta do site que desejava construir, o que me conduziu foi o desejo de disponibilizar parte da pesquisa que havia desenvolvido sobre a produção audiovisual alagoana. Audiovisual Alagoas (hoje Alagoar) foi alimentado espaçosamente, entre 2010 e 2015, como um blog, onde havia sido disponibilizada parte da história do audiovisual alagoano.

Em 2015, Amanda Duarte entrou em contato para dar feedback sobre o blog e se dispôs a pensar e se dedicar a uma reformulação, tendo como objetivo a construção de um acervo e a definição de conteúdos para a realização do lançamento como um site. Em 30 de março daquele ano, foi lançado o Audiovisual Alagoas (Alagoar). O espaço de divulgação do lançamento foi a página do site no Facebook, tendo como destaque de seu novo formato o espaço dedicado para listar os filmes alagoanos que estavam on-line – no qual o público atualmente tem acesso a mais de 260 filmes para assistir, num mar de mais de 500 obras audiovisuais cadastradas no Catálogo de produções.

Encontrar dezenas de filmes alagoanos on-line, em 2015, foi essencial para impulsionar a transição da estrutura de blog para o desenvolvimento e amadurecimento de como formatar um catálogo virtual com obras audiovisuais (filmes, videoclipes, séries e coleções). Amanda Duarte esteve como coordenadora de comunicação do site entre março de 2015 e agosto de 2016. Nilton Resende colabora com a revisão de textos desde as primeiras publicações após o lançamento. A publicação de conteúdos originais tem seu primeiro ciclo com a publicação de curadorias de filmes e videoclipes alagoanos e as entrevistas da série Ping Pong criada por Rafhael Barbosa.

Os colaboradores e colaborações, desde os diálogos pontuais através dos quais algum agente do audiovisual alagoano dava feedback, repassavam conteúdo solicitado ou criavam conteúdo para o site. Foram combustíveis para a continuidade da gestão que desenvolvi e desenvolvo voluntariamente e sem fins lucrativos, desde março de 2015, focada no incentivo, na preservação e no reconhecimento da produção e da memória do audiovisual alagoano.

Em 2016, como proposta de comemorar o primeiro aniversário do site, foi iniciado um diálogo com a Núcleo Zero, estúdio de criação de conteúdo multimídia alagoano que, ao elaborar a proposta de identidade visual para o site, também presenteou o projeto com o nome Alagoar.

Assim, em 30 de março de 2016, o Alagoar (antes Audiovisual Alagoas) teve divulgada a sua nova identidade visual e nome. Junto com a celebração de um ano de site, foram criados e disponibilizados os formulários de cadastro para obras audiovisuais, profissionais, produtoras, projetos e cineclubes.

Em 2017, através da colaboração de Leonardo Amaral, teve início o compartilhamento de resenhas sobre filmes brasileiros no site. Nesse mesmo ano, Rafhael Barbosa realizou a cobertura do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, pelo Alagoar, a convite do Festival.

Janderson Felipe e Leonardo Amaral também realizaram, alguns meses depois, a cobertura do Circuito Penedo de Cinema (2017) e, no ano seguinte, a cobertura, através de entrevistas, do 51º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Amaral também representou o Alagoar na 3ª Mostra Sesc de Cinema, a convite da própria Mostra. Já Janderson realizou a cobertura da VIII Mostra Sururu de Cinema Alagoano (2017), da Mostra Performance Negra (2018) – em colaboração com Lucas Litrento – do 8º Festival de Cinema Universitário de Alagoas (2018) e da IX Mostra Sururu de Cinema Alagoano (2018). Roseane Monteiro realizou a cobertura da 10ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano (2019), em colaboração com Fabio Cassiano. E Pedro Krull realizou a cobertura da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Ainda em 2017, teve início, através de parceria com o Mirante Cineclube e a Mostra Sururu, a publicação de críticas realizadas pelos participantes do Laboratório de Crítica Cinematográfica. Iniciativa que teve sua segunda edição em 2017, realizada pelo Mirante (sem recursos), que também foi responsável pela monitoria e revisão dos textos escritos durante o acompanhamento da VIII Mostra Sururu de Cinema Alagoano (2017).

O Laboratório de Crítica teve a sua terceira edição realizada pelo Sesc Alagoas em 2018, com monitoria e revisão do Mirante. E, em 2019, o Mirante Cineclube contou com recurso da 10ª Mostra Sururu de Cinema Alagoano para realizar a quarta edição do Laboratório de Crítica. As três primeiras edições do Laboratório foram realizadas com instrutores de outros estados – André Dib, Fernando de Mendonça e Camila Vieira. A quarta edição foi a primeira a contar com instrutores locais, que se organizaram numa condução coletiva (Beatriz Vilela, Chico Torres, Janderson Felipe, Leonardo Amaral, Roseane Monteiro, Tatiana Magalhães e Thame Ferreira), que contou também com a inclusão de monitoria e revisão dos textos realizados durante o acompanhamento da 10ª edição da Mostra Sururu.

O espaço que reúne as produções do Laboratório conta com mais de cem textos, incluindo aqueles realizados durante a primeira edição do Laboratório em 2016, que foram recentemente publicados no Alagoar. É possível acessar todos os textos que se debruçam sobre filmes alagoanos no espaço “Críticas e cia”.

A pesquisa que iniciei em 2008 segue sendo desenvolvida, conforme acompanho o desenvolvimento da produção audiovisual alagoana, e está disponível no site. Para acessá-la, basta clicar no submenu “Acesse” e optar por “Panorama”, que está subdividido nas categorias Primórdios, Festival de Penedo, Editais, Mostra Sururu, Festival Universitário, Circuito Penedo de Cinema, Mostra NAVI, Mostra Sesc de Cinema e Mostra Quilombo de Cinema Negro.

Além do Panorama, há o Catálogo de produções (que também pode ser acessado pelo menu principal), que reúne obras – filmes, videoclipes, séries e coleções – mapeadas através dos colaboradores do Alagoar, da participação dessas obras em mostras e festivais ou por meio da submissão de informações nos formulários de cadastro disponíveis no site. Também há o espaço onde é possível visualizar roteiros, projetos e storyboards de filmes alagoanos, chamado “Roteiros e etc”, que pode ser localizado ao acessar o menu principal “Acesse”.

A partir de 2019, o Alagoar expandiu sua presença nas redes sociais através da criação do perfil no Instagram (@alagoar), que possibilitou o investimento no compartilhamento do conteúdo original produzido pelos colaboradores, na busca por fortalecer a comunicação com o público simultaneamente no Facebook e Instagram. Também nesse ano foi iniciada uma nova etapa na busca por estabelecer um fluxo de elaboração e publicação de entrevistas com agentes do audiovisual alagoano e de outros estados.

O empenho que transbordou, a partir da pesquisa que comecei a desenvolver em 2008, germina através das obras catalogadas, do repositório de informações, das conexões e da difusão de conhecimento proporcionada pelo Alagoar. É isso o que possibilita a escrita de uma trajetória inspirada na resistência das iniciativas culturais alagoanas, realizadas sem incentivos públicos e através de trabalho voluntário, impulsionadas pela necessidade de construção de um espaço que preserve, registre e reflita a identidade do audiovisual alagoano.

Como celebração do aniversário de cinco anos de lançamento do site, em março de 2020, seriam propostas ações presenciais que ficaram impossibilitadas devido à pandemia de Covid-19, mas não serão impossibilitadas as trocas e colaborações para dialogar sobre o conteúdo reunido no site e para difusão de conhecimento sobre a produção local. A existência e resistência do Alagoar representam a valorização de um patrimônio cultural que é de todos e todas.

Para informar o seu desejo de colaborar, pode entrar em contato pelo e-mail [email protected] ou pelas redes sociais do Alagoar.

Texto: Larissa Lisboa
Com colaboração de Pedro Krull, Karina Liliane e Rose Monteiro

Revisão de Felipe Benício

Apoie a Mídia Caeté: Você pode participar no crescimento do jornalismo independente. Seja um apoiador clicando aqui.

Recentes