Uma luta de todos: saiba como colaborar com a Marcha das Mulheres Indígenas e a comitiva alagoana

Com o tema: “Reflorestando Mentes para a Cura da Terra”, mobilização nacional acontece entre 7 a 11 de setembro em meio a confronto contra Marco Temporal e outros ataques
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Crédito: Tingui Filmes

Como uma brecha de oxigênio, em meio ao sufocamento de uma conjuntura onde a violação de direitos é a regra, os povos indígenas irrompem em mais um levante pelo país. Atualmente resistem no Acampamento Luta Pela Vida, até 28 de agosto, e a mobilização continuará com a Marcha das Mulheres Indígenas, que já inicia entre 7 e 11 de setembro. Em Alagoas, 21 mulheres integram a comitiva junto a Sergipe, sem qualquer colaboração de poderes públicos locais – seja de Governo do Estado, ou de gestão municipal. Com a proximidade da viagem, alguns custos durante o trajeto vêm se colocando na urgência das demandas e requer solidariedade e entendimento de que a luta é de todos.

Um bom primeiro passo é afinar os olhares para aprender com a luta indígena. Não teve descanso, principalmente desde o PL 490, que interfere bruscamente na demarcação de terras junto à tese do Marco Temporal. Ao tempo em que fazem piquetes pelo país, com trancamento de rodovias, também acampam nos entornos do Congresso Nacional, dependência onde grande parte destas decisões vêm acontecendo. Com as ações coordenadas dos territórios ao centro, ensinam como articular as lutas, mobilizar e permanecer nelas.

Povos indígenas mobilizados em Brasília. Crédito: Tingui-Filmes

Na Marcha das Mulheres Indígenas, o ritmo de mobilizações não será diferente. “No contexto atual, estamos lutando para sobreviver, ter nossos direitos garantidos. Estamos vivendo um retrocesso, onde o genocídio virou uma coisa normal”, relata Vivia Campos, da Aldeia Tinguí-Botó, em Feira Grande, e organizadora da comitiva em Alagoas. “E é em meio a isso tudo que realizamos a segunda Marcha das Mulheres Indígenas, com organizações por estados para garantir a presença de todos os povos do Brasil”, explica.

Quem também organiza a comitiva a partir de Sergipe é a comunicadora da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), Karine Xokó, que reforça como a Marcha vem sendo organizada em um momento determinante. “A Marcha é para fortalecer o movimento das mulheres indígenas e das comunidades indígenas. Não participam apenas mulheres. Os homens também estão ajudando, mas o protagonismo é nosso nessa ação. Por mais que vivamos num país que se diz desenvolvido, o preconceito é grande com os povos indígenas, principalmente quando falamos em mulheres indígenas”, explica.

Karine Xokó exemplifica o tratamento dispensado por membros do parlamento contra a deputada Joenia Wapichana (Rede -RR). “O machismo toma conta e eles acham que, por ser mulher, ela não tem capacidade que o homem tem de estar no mesmo parlamento ou ocupando a mesma cadeira. É um tabu que a gente tenta quebrar, de que as mulheres são capazes de assumir o lugar e serem protagonistas da própria história. É sempre o branco falando, e nunca os povos indígenas”

Organização e solidariedade

Até o momento, o transporte e os custos durante o período em Brasília foram garantidos através da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que integra na região a APOINME.

Vivia Campos, da Aldeia Tingui-Botó, coordena a comitiva de mulheres em Alagoas que seguem para a Marcha Indígena dia 7

Entretanto, falta ainda recurso para os custos do trajeto até Brasília: da alimentação até chegar em Brasília a outras questões de acomodação. “Em muitos estados tivemos apoio. Alagoas, infelizmente e como sempre, não tem apoio do próprio Estado e nem dos municípios”, explica Vivia. “Os desafios são inúmeros, porém somos filhas das matas, dos rios, dos sertões, e dos vales, então toda dificuldade que aparece, a gente luta e corre”, defende Vivia.

Ocorre que, além dos projetos de lei que permeiam no Congresso o ataque à demarcação de terras, a ausência de garantia mínima dos direitos, a partir de políticas públicas específicas nas gestões municipal e estadual, intensificam a crise dentro das aldeias e comunidades, ainda mais agravada diante da pandemia do Coronavírus. É em meio a esta situação que as comunidades precisam encontrar recursos para custear a infraestrutura das mobilizações.

“São muitas mulheres que querem participar, mas por não terem condições, acabam não indo. Para a Marcha, conseguimos transporte e poderia ir mais gente, mas muitas não teriam condições de se manter no trajeto. Como é muita gente, tem que ter um recurso a mais para o lanche até lá. A dificuldade está sendo essa questão no caminho”, comenta.

As dificuldades vem sendo enfrentadas a partir, também, da busca ativa. “Algumas comunidades estão fazendo vaquinhas online, mas, queira ou não, temos que bancar do nosso bolso, porque são questões indígenas. São políticas voltadas para nós e precisamos estar lá para a luta. A gente sabe que, na pandemia, a gente não tem escolha de estar em casa que vai dar tudo certo. Tem que estar na luta, e mesmo sem condições, a gente faz um esforço para tentar ir junto aos parentes para ocupar os espaços”, explica.

Uma luta de todos e todas: saiba como ajudar

Mais do que empatia e solidariedade, entretanto, o entendimento e apoio às questões indígenas é uma urgência que impacta a todos. “Indígenas são os que mais preservam o meio ambiente hoje, e os impactos nas terras indígenas atingem a todos. São desmatamentos, poluição nos rios. Então atinge não apenas as comunidades indígenas mas toda a população brasileira. A causa dos povos indígenas é a causa de todos”, conta.

O apoio vem acontecendo de diversas formas, como a contribuição financeira, a doação de alimentos, colchonetes, barracas e água, garantindo o trajeto e a estadia no local. Para doar recursos à comitiva alagoana, basta efetuar a transferência do valor desejado para a seguinte conta:

Caixa Econômica Federal.
Agência 3209 Conta Corrente 31712-0 Operação: 001
Nome: Vivia Maria Campos
CPF: 092.624.224-58

Já para auxiliar na permanência das delegações no Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais, que integram a APOIME, e inclusive já estão em Brasília, é possível através do pix [email protected]

Em âmbito nacional, a APIB disponibiliza o paypbox de doação. Clique aqui para acessar o link. 

As contribuições são determinantes para manter a mobilização ativa, que já terá algumas ações na programação. “Temos prevista a caminhada, o acampamento e também temos a troca de sementes de cada bioma, além de água, areia para simbolizar o reflorestamento. Trata-se de reflorestar mentes e pensar em cura”, explica Karine Xokó. “É importante todo o apoio que vem acontecendo e temos recebido, assim como os recursos, também a força que vem sendo dada nas redes sociais, na divulgação, porque é uma questão que impacta a todos”.

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